cordeiro de freitas (Antônio José Cordeiro de Freitas)

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– BAR PORTA ABERTA

VERSOS NO COMANDO DO BAR PORTA ABERTA DÉCADA DE 70

Hoje inicio aqui a tentativa de manter viva a memória de lugares onde de alguma forma frequentei para viver com entusiasmo e emoção da melhor maneira possível a minha vida na sua época, não serão postagens definitivas pois estarão sempre abertas para inclusão de novas lembranças.

Inicio esta trajetória com um lugar inesquecível, o bar PORTA ABERTA do Sr. Antônio que tinha como endereço a esquina da Rio Branco com Duque de Caxias, um maravilhoso ambiente que mais antigamente foi até comércio de verduras e bar, mas que ao longo do tempo foi se especializando a ser definitivamente um bar com cerveja gelada e tira-gosto.

Quantos foram os momentos que ali passei com amigos, onde conheci muitas pessoas, onde constumávamos a iniciar e a encerrar uma noitada, em fins de bailes e festas, fechávamos com chave de ouro a grande noitada, onde podiamos elencar nossas façanhas, conquistas, perdas, relembrar o passado e sonhar com o futuro.

Local onde colocávamos nossas alegrias com piadas e histórias maravilhosas, acontecimentos memoráveis, e demonstrações de profundo conhecimento em diversas áreas, éramos jovens e festejavamos sempre a juventude, cobriamos o espírito com a sensação de infinitude, pois cada momento ali desfrutado parecia uma eternidade.

Uma das pessoas que nunca me esqueci que também frequentava o Porta aberta, foi Narciso, era mecânico e muito querido entre os motoqueiros da cidade, lembro-me perfeitamente dos malabarismos que ele fazia sobre uma moto, uma das que mais me impressionava era o equilibrio que mantinha sobre uma roda com a moto empinada, era um sucesso, sua permanência sem que a roda da frente tocasse no chão no minimo era de um quarteirão, e ele não se contentava em apenas ir, ele ia e voltava, um artista, fenomenal,  todos gostavam dele e o admirava bastante, ainda que corria risco e me deixava apreensivo, era um craque, não sei o destino de Narciso, mas como estou relembrando dele vou investigar quem sabe poderei contar mais sobre ele principalmente como foi sua vida até hoje.

Momentos que usávamos como ação e emoção eram em época de eleição, a venda de bebida era proibida, mas no corredor ao lado do bar podiamos chegar ao fundo do imóvel onde consumíamos a geladinha e a discussão sempre situava nos candidatos e discutiamos como profundos conhecedores do assunto, tínhamos a fórmula para resolver todos os problemas fosse muncipal, estadual, nacional e até internacional, éramos personagens de encenação séria no palco da política, nos esportes então nem se fala o futebol era nosso maior espetáculo, e todos como técnicos e profundos sabedores de tudo e ferrenhos defensores de seus clubes do coração esquentavam os debates que rapidinho saia dele para a discussão e muitas vezes em brigas verbais, sangue puro de emoção, sentimento que não aceitava perda em qualquer circunstância, mas depois tudo passava e a normalidade voltava ao bom papo e uma boa piada com intervalos para a degustação de um prazeroso copo de cerveja..

Em encontro que promovemos após 35 anos, a turma ali do bairro Lídice, onde todos morávamos próximo ao Porta Aberta, em registro no pequeno livro que publicamos para este encontro onde retratamos algumas de nossas façanhas e acontecimentos inesquecíveis https://cordeirodefreitas.wordpress.com/2012/10/14/livro-cronicas-de-nossa-juventude-a-vida-como-ela-era/, constam passagens onde o palco foi o bar e deixo abaixo estes momentos:

DE CUECA

O Marlon desafiou a turma que no término da missa das 10 no domingo, aguardaria as pessoas descendo a Duque de Caxias chegando a Rio Branco e ele iria até o bar porta aberta ( do Sr. Antônio ), comprar cigarro, de cueca apenas e voltaria fumando no meio das pessoas, da esquina da minha casa até lá 01 quarteirão, e aconteceu, o sujeito era mesmo corajoso, vendo as pessoas descendo a Duque de Caxias, antes de chegarem à Rio Branco,

seguiu na direção contrária, entrou no bar, comprou o maço de cigarros, e desceu no meio de muitas pessoas fumando e despreocupadamente de cueca. Inesquecível, ele ganhou a aposta e ficou por um bom tempo se gabando!.

DUPLA QUE TROUXESSE MAIS...

Numa noite daquelas que a criatividade florescia como mágica, estávamos como sempre assentados na esquina da Duque de Caxias com Portugal, cigarros nas bocas, piadas e estórias maravilhosas, e alguém propôs que formássemos duplas e fossemos até o Sr. Antônio ( Porta aberta) e usando a japona verde do Beto traríamos o máximo de guloseimas sem pagamento.
Formamos umas três duplas, mas não me lembro com quem fui, mas a nossa foi a ultima e já tínhamos em mente que deveríamos ser mais corajosos para vencermos a aposta, lá entrávamos por uma porta e saiamos por outra, e na saída tinha a direita antes da porta cocos em uma banca uns sobre os outros, e depois da saída combinei ir à frente e com os pés na calçada meu parceiro rapidamente jogaria o coco na minha direção.
Procedemos perfeitamente como combinado, mas quando o coco caiu nas minhas duas mãos eu estava de frente para a esquina e o Sr. Antônio a virou, imediatamente joguei o coco sobre os outros cocos da banca e o Sr. Antônio me deu boa noite e entrou, como milagre o coco caiu entre outros e não fez nenhum barulho, não me lembro quem venceu aquela aposta, mas foi possível comermos caquis, chupar balas etc.

Durante um bom tempo de minha vida, tentei praticar a CAPOEIRA dos mestres Pastinha, Bimba, Corisco e tantos outros que deixaram seus ensinamentos para esta maravilhosa arte, não fui um grande jogador desta arte, mas a pratiquei com muito prazer e admiração, mas o que de melhor consegui fazer foi poder andar pela parede conforme foto abaixo:

ANDANDO NA PAREDE

ANDANDO NA PAREDE DATA NA FOTO – 11/05/1977 – Rua tenente virmondes entre Floriano Peixoto e Afonso Pena em frente ao nª 487. Foto feita por SALIM SUAID – que gostava de me ver pulando e queria guardar este momento de lembrança, com isto ganhei dois posters.

E quantas foram as vezes que ali em frente ao Porta Aberta exercitei esta minha capacidade de saltar e pular, apostas que conseguia fazer isto ou aquilo sempre aconteciam, mas o que me especializei naquela localidade foi correr do passeio do bar na Rio Branco atravessar a rua e bater o pé esquerdo no muro do outro lado da rua e saltar na direção do seu corpo e cair assentado sobre ele, isso me rendia muita cerveja e maços de cigarro, mas acho que o que rendia mesmo era amizades, companheiros e o menor numero de inimigos…

Houve um período de grande sentimento por artes marciais, quando pude me deslumbrar com o maravilhoso e eterno BRUCE LEE, inigualável, e pessoas que viviam artes marciais como Karatê, judô, capoeira, kung-fu etc., sempre frequentavam os mesmos ambientes e sem dúvida assuntos direcionados para estes segmentos eram constantes, e a vibração sem medidas, muitos usavam o conhecimento para aprofundamento e crescimento, mas existiam aqueles que usavam para amedrontar, serem superiores e arrogantes, mas sobrevivemos a tudo e a todos, e ficou como um grande aprendizado para mim principalmente, pois pude crescer bastante enxergando os reais valores destas artes com seus ensinamentos, e na vida o sentimento que trazemos do passado é e sempre será combustível para nossa sensibilidade e peregrinação em nossa existência.

Um pensamento sobre “– BAR PORTA ABERTA

  1. O chamado porta aberta, era o fato de ser 24 horas, o fim de noite de Uberlândia era o “Bar do Tarcísio” (hoje, o Ed. Uberlândia 2000), copo sujo, rsrsrs…. tinha o Tramella (bar sem portas), e um outro não me lembro o nome, na Rio Branco.

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